A verdade é que não há um adeus.
Não adianta despedir-mo-nos vezes sem fim, como se fosse a última. Pensar em ti, como se nunca mais te víssemos, ou ouvíssemos falar de ti.
O adeus não se fica para lá da tampa do ataúde com que te velaram o rosto e te ocultaram dos meus olhos.
O adeus não está sequer naqueles instantes solitários, em que nos tornamos a despedir uma e outra vez, enquanto sofremos o remorso das vezes que não disse que te amava, ainda que o pudesses ver nos meus olhos.
O adeus está na caminhada para o infinito que empreendeste, deixando-nos a todos órfãos e desorientados. No vazio que deixaste, na ausência pesada que agora mora connosco.
O adeus está em cada pequeno momento que a tua memória me afaga, no toque de cada objeto que sei tocado por ti, pelo manusear dos livros que leste e em cada memória das conversas que tivemos sobre ele.
O adeus está em cada paisagem que aprecio e sei que ias amar, em cada maravilha da engenharia que vejo e sei que ias admirar.
O adeus está neste mundo cruel que não se compadece e, mesmo sem ti, continua a desfiar a sua rotina, dia após dia.
Não, o adeus não ficou encerrado na caixa de madeira que te levou, quando me perguntaram se me queria despedir.
Porque a verdade, é que não há um adeus, mas sim milhares deles que se estenderão pelo resto da vida.
Este texto foi escrito pelo Manuel Amaro meu filho em 8 de Setembro de 2017
Sem comentários:
Enviar um comentário