Ia como de costume
No meu passeio diário
Recomendado pelo médico,
Quando vi, não longe de mim,
Um rosto de mulher,
Que me pareceu conhecido;
Era jovem e estava sentada
Num banco do jardim, por onde eu passava.
A seu lado tinha um carrinho de bébé;;
Abrandei o passo para ver melhor
E, de repente ouvi pronunciar o meu nome;
Então confirmei que a conhecia.
Havia muito tempo que não nos víamos.
Cumprimentamos-nos e sentei-me a seu lado...
E contou-me que esteve para casar,
Mas o seu desejo
Não se tinha realizado...
O seu noivo tinha-a traído
Com uma das suas amigas;
O tempo foi passando sem quaisquer notícias.
Do casal até que um dia
O telefone tocou e para meu espanto era ela
A pedir-me muito que fosse vê-la
Pois queria pedir-me perdão.
«Não me deixes morrer sem falar contigo»
Não pude recusar tal pedido...
Fui vela e dar-lhe o meu perdão
Feliz por me ver, no seu leito de morte
E falando com dificuldade,
Ainda teve forças e entregar-me o seu filho,
Dizendo-me:
«A partir deste momento o meu filho é teu»
Lavada em lágrimas peguei no menino,
Que para mim sorriu.
Pouco depois partiu, e é este o menino,
Agora meu filho,que a Ana me deu.
MARIA LUÍSA MENDONÇA
2014-03-30
Sem comentários:
Enviar um comentário